SOMOS TODOS ALICES

Somos todos ALICES quando sonhamos.
Lewis Carrol criou um mundo mágico e encantado não só em texto mas
sobretudo com imagens “pintura”. As paisagens de Alice são pinturas. Lewis Carrol era Pop. Alice é Pop. Alice não é um assunto confortável : é instigante como a boa pintura.
Alice e seu mundo “non sense” nos inspira mas também nos expulsa.
Alice sonha, Alice cresce e decresce, Alice se aproxima e se afasta.
Faz amigos ? Mas que amigos? Em Alice habitam todos os componentes da
pintura. Paisagens internas e externas com dezenas de desdobramentos.
Alice é surpresa, curiosidade, perplexidade. Alice planeja e fala com seus botões, feito o pintor frente a tela em branco. Todos planejamos e falamos com nossos botões assim como nadamos em nossas lágrimas.
Alice nos inspira em seus devaneios, Alice aflige, Alice parece não ter medo e isso é medonho. Alice chora, ri, conforta, é séria, é aloprada, brinca e briga, constrói e desconstrói.
Alice é cortejada pelos animais feito Orfeu com sua Lira em o Bestiário de Apollinaire. Orfeu desce ao inferno em busca de Euridice, Alice despenca num poço muito fundo em busca do coelho branco que calcula o tempo. Eu, não pinto figura de ilustração dou asas a imaginação com forma e cor.
O tema é alegoria. Alice só me empresta o sonho.

Lou Borghetti janeiro de 2016

We All Are Alices

We are all ALICES when we dream.
Lewis Carrol created a magical, enchanted world not only in text but above all through “painting-like” images. Alice’s sceneries are paintings. Lewis Carrol was pop. Alice is pop.
Alice is not a comfortable subject:
she is as intriguing as a good painting.
Alice and her nonsense world inspire us but also cast us out. Alice dreams, Alice grows and shrinks, Alice gets closer and goes away.Does she make friends? But what friends? All components of a painting live within Alice. Indoor and outdoor sceneries and their dozens of developments.Alice is surprise, curiosity, perplexity. Alice plans and talks to herself, like a painter before a white canvas. We all plan andtalk to ourselves, as well as swim in our tears.Alice’s daydreams inspire us, Alice is distressing, Alice seems to be fearless, and that is hideous. Alice weeps, laughs, comforts, she is zany, playful, and feisty, she constructs and deconstructs.Alice is courted by the animals like Orpheus playing his lyre in Apollinaire’s The Bestiary. Orpheus descends to Hades in search of Eurydice, Alice falls down a very deep well chasing the watch-checking white rabbit.
I do not paint illustrations, I give free rein to fancy using shapes and colors.
Allegory is my theme.
Alice only lends me the dream.

Lou Borghetti | January 2016